Desculpe o transtorno, mas precisamos falar sobre o manejo do comportamento suicida

jul 09, 2019 | Entrevistas | 0 Comentários
Desculpe o transtorno, mas precisamos falar sobre o manejo do comportamento suicida

Para psicóloga e gestalt-terapeuta Karina Okajima Fukumitsu, "se tem vida, tem jeito"

'Considerado um tabu para alguns, o manejo do comportamento suicida começa justamente por acabar com esse medo relacionado a discutí-lo. Falar sobre o assunto ao invés de ignorá-lo, seja por medo ou cautela, significa aceitá-lo e acolhê-lo. Por conseguinte, é acolhido também o sofrimento existencial daquele que apresenta o comportamento suicida.

O sentido, muitas vezes, não é encontrado na forma de pensar daquele que considera o suicídio. Outra forma de lidar com a presença desse tipo de comportamento é respeitar e tolerar essa ausência do sentido, utilizando uma conduta compreensiva e colaborativa. É preciso oferecer esperança àquele que não a possui mais e ir além: “emprestar” essa esperança - ou seja, compartilhar da sua com o outro.

Outra necessidade ao lidar com o comportamento suicida é estar atento aos sinais de alerta. Eles podem ser verbais e comportamentais, diretos e indiretos. “Quero morrer” é verbal e direto. “Não consigo mais aguentar” é verbal e indireto. Um sinal comportamental direto pode ser o isolamento. Indiretamente, a pessoa pode jogar fora objetos importantes e começar a se despedir de parentes e amigos.

Para a psicóloga, gestalt-terapeuta e pesquisadora Karina Okajima Fukumitsu, o acolhimento ao sofrimento do outro deve existir diariamente. “Infelizmente os números de suicídio têm aumentado no Brasil, e é exatamente por isso que a conscientização para esse problema de saúde pública se faz necessária”, aponta.

Conhecida como “educadora dos pés descalços” por sempre tirar os sapatos antes de começar uma consulta, Karina começou a conviver com o suicídio quando tinha dez anos de idade, diante das seguidas tentativas de suicídio da mãe. Por ter lidado por anos com o tema em sua família, sabe tratar do assunto com profissionalismo, delicadeza e respeito. “Sempre tem vida e se tem vida, tem jeito.”, afirma.

 

Recriar oferece possibilidade de discutir sobre suicídio

Os profissionais da saúde interessados em entender e discutir o manejo do comportamento suicida podem buscar cursos e eventos de aprofundamento na área. Em Caxias do Sul, o Centro de Estudos Avançados em Medicina e Psicologia - Recriar oferece este tipo de serviço.

Com o objetivo de discutir sobre o suicídio e oferecer a instrumentalização necessária na lida e manejo do comportamento, o Recriar promove, no dia 19 de outubro, o curso “Suicídio e Manejo do Comportamento Suicida”. A ministrante será Karina Okajima Fukumitsu. Por meio de aula expositiva e discussão de casos clínicos, a psicóloga e gestalt-terapeuta oferecerá aos profissionais da saúde subsídios teóricos e técnicos que responderão a questão: como agir diante de uma pessoa com risco de suicídio?

Mais informações sobre o curso podem ser acessadas aqui

 

Contatos úteis
Outro dado importante para o manejo do comportamento suicida são os contatos de quem pode ajudar.
Centro de Valorização da Vida (CVV) - 188
Ambulância - 192
Bombeiros - 193

Fontes
Associação Brasileira de Psiquiatria, 2014
Bertolote, 2012
Botega, 2015
Fukumitsu, 2012 e 2014
Quinnett, 1987
WHO, 2014
Shneidman, 1993

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