A Escolha de Sofia

mar 26, 2020 | Texto de Dorval Tessari | 0 Comentários
A Escolha de Sofia

Diário de um confinamento #7

A Escolha de Sofia

Acordei pensando no enredo do filme “A escolha de Sofia”. O filme trata do dilema de “Sofia”uma mãe polonesa , filha de pai antisemita, presa em um campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial e que é forçada por um soldado nazista a escolher um de seus dois filhos para ser morto. Se ela recusasse a escolher um, ambos seriam mortos.

Trazendo para o contexto da COVID-19, momento-a-momento estamos nos deparando com uma tomada de decisão: obedecemos o distanciamento social e os bloqueios para preservar vidas e possivelmente arruinar a economia que mais tarde poderá matar indivíduos, ou abrimos mão do distanciamento social com aumento da exposição ao vírus e consequentemente do numero de infectados e numero de mortos, principalmente dos idosos?

Eis a questão a ser respondida.

Todos nós deveríamos responder a essa pergunta e assumir a responsabilidade por sua escolha. Farei a minha:

Em estudos fundamentados na biologia, indivíduos egoistas vencem em um grupo fechado; entretanto, grupos altruístas vencem os grupos egoistas.
Em uma estimativa pessimista, se 60% da população for contaminada e promover a morte de 1% , isso representara 40.000.000 de mortos, o que corresponde a um numero similar a gripe espanhola de 1918.
Os números apontam que o custo para salvar as pessoas com mais de 80 anos é elevadíssimo. Valeria a pensa investir os poucos recursos financeiros para permitir que alguém com 30 anos viva em detrimento de outra de 80 anos?
Não sabemos quais serão os impactos e a intensidade deles no caso da quebra da economia
Ninguém tem a ideia de como a sociedade ira se organizar nesse cenário catastrófico.
A ansiedade e o medo é por não termos uma resposta a esses questionamentos, visto que toda essa geração não passou por uma experiencia dessa. Exemplificando, a peste bubônica matou na  idade media aproximadamente 60 % da população da Europa, que segundos cálculos ficaram entre 75 a 200 milhões de pessoas.
Esse vírus não ira dizimar a humanidade.
O COVID-19 é uma encruzilhada para a humanidade. Ele expõe aquilo que pior ou de melhor nós temos. Muitos disseram que teríamos que sair de cima do muro. Pelo jeito, a hora é agora.
Nesse mundo de COVID-19, trazemos os excluídos: pobres, negros, idosos, doentes mentais, pessoas com privação de liberdade.
Se eu fosse um desses ( por pouco não entro na faixa de idoso), como eu gostaria que a sociedade agisse em relação a mim? Que me protegesse

Por isso, eu escolho o distanciamento social como uma opção em respeito aqueles que não tem voz.

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